Como superar o fim de um relacionamento com maturidade por Danilo Chencinski



Noites em claro, memórias boas e ruins em looping infinito, evoluções e recaídas, emoções à flor da pele, raiva e descrença, choros e lamentos. Todos já passamos por isso ao menos uma vez na vida quando um namoro que proporcionou momentos memoráveis terminou.

Dou cursos, consultorias e treinamentos sobre inteligência emocional e conheço bem a teoria a respeito do assunto, mas, quando somos colocados à prova, é preciso muita convicção, superação e maturidade para manter-se forte. Existem muitos caminhos para superar de forma madura e construtiva aquela fase que parece que não vai passar nunca. Veja a seguir algumas dicas que podem ser úteis para você ou um amigo, hoje ou amanhã, superarem esse momento delicado na sua vida:

1.      Precisa mesmo se separar? Nenhum homem nunca pisará nas águas de um mesmo rio, porque o rio está em constante transformação, e o ser humano também. Se cada membro do casal está em evolução contínua (ou às vezes involução), seria uma ilusão manter o relacionamento nos mesmos moldes de quando iniciaram. Imagine se um casal que vive junto há 10 anos mantiver o mesmo comportamento um com o outro durante todo esse tempo? Assim como cada um evolui individualmente, o indivíduo casal também deve evoluir. Às vezes, o relacionamento precisa apenas de uma repaginação.

 

2.      Por que é que tudo tem que terminar? Será preciso mesmo romper relações se vocês compartilharam por tanto tempo um relacionamento tão próximo? Que tal transmutar a relação em algo melhor, como uma amizade para o resto da vida? Se como casal a relação não funciona mais, talvez como amigos vocês redescubram o porquê gostaram tanto um do outro por tanto tempo. Como diz o Professor DeRose no seu livro Método Para um Bom Relacionamento Afetivo: namorado tem prazo de validade, mas ex é para sempre!

 

3.      Abrace o sofrimento. Por mais forte que você seja, é uma ilusão tentar não sofrer com o término de um relacionamento. Toda separação representa uma grande perda e um golpe na autoestima para uma espécie como a nossa que odeia mudança. Casais toleram verdadeiras atrocidades de seu parceiro para evitar a dor da separação (mudança) e o medo da solidão, que muitas vezes parecem maiores que a dor de conviver com alguém que já não te satisfaz mais. O término do relacionamento pode doer, mas pode ser exatamente o que você estava precisando para sair da sua zona de conforto e ser muito mais feliz. Na pior das hipóteses, você sairá mais forte e resistente à dor!

 

4.      Assuma a responsabilidade pelos seus sentimentos. É normal querermos culpar o/a ex pela nossa miséria, mas, se deixarmos de lado a neurose de atribuir culpa ao outro, sobramos com o fato de que agora estamos por conta própria e só nós mesmos que poderemos lidar com as nossas emoções e superar a situação. Quando assumimos a responsabilidade pelos nossos sentimentos, adquirimos o poder de superá-los. É o início de qualquer processo de recuperação e evolução. 

 

5.      Abandone a ilusão da alma gêmea. Essa ideia romântica já está muito ultrapassada. Podia fazer sentindo numa época na qual o ser humano vivia em pequenas vilas e conhecia menos pretendentes na vida inteira do que hoje encontra no Tinder em um único dia. Vivemos numa era de abundância e liberdade. Desapegue da ilusão do “feitos um para o outro” e chame o próximo da fila.

 

6.      Felizes para sempre? Por falar em ilusão, nos Estados Unidos, 1 em cada 5 casamentos acabam em menos de 5 anos. E eventualmente, cerca de 50% dos casamentos estão fadados a terminarem em divórcio, segundo pesquisa da CDC. Portanto, adote a filosofia do seja eterno enquanto dure, pois namoro tem prazo de validade. Veja na natureza: raros são os animais que têm apenas um parceiro ao longo da vida, geralmente têm vários em um único ano.

 

7.      O sucesso é uma sucessão de fracassos. No seu best seller Pense e Enriqueça, Napoleon Hill cita que mais de 500 homens entre os mais bem sucedidos dos Estados Unidos afirmam que o seu maior sucesso chegou logo depois de uma derrota. Também cita que os empresários mais bem sucedidos fracassaram mais de 10 vezes. Enquanto a maioria teria desistido, eles seguiram em frente e colocaram em prática no empreendimento seguinte aquilo que aprenderam nos anteriores para se tornarem multimilionários. Veja o que você aprendeu nesse relacionamento e poderá fazer melhor no próximo aumentando as chances de uma parceria mais saudável e duradoura.

 

8.      Siga a sua rotina. Não se dê o luxo de mudar a sua agenda para curtir a fossa! Você não precisa da piedade dos outros. Siga a sua rotina e vai perceber que a vida continua e que existem formas mais úteis de lidar com a perda do que sofrer sozinho em casa comendo chocolate e escutando Coldplay.

 

9.      Transforme emoção em realização. As emoções são um tipo de energia bem volátil. Você pode utilizá-las de forma destrutiva ou construtiva e a escolha é toda sua. Essa fase em que as emoções ficam à flor da pele pode ser a mais produtiva da sua vida! Dedique-se mais ao trabalho, a compor músicas, a escrever ou outro projeto qualquer. Você vai perceber que terá mais inspiração e disposição para realizar, como Vinícius de Moares, que concebeu grandes obras primas da poesia e da música justamente nesse momento tão infeliz.  

 

10.   Exercite-se. Outra forma de canalizar a emoção de forma produtiva é praticando algum esporte ou exercício físico. Além de encher o corpo de endorfinas e ter aquele alívio imediato, você pode entrar em forma e melhorar a sua autoestima.

 

 

11.   Ocupe-se! “Quem se ocupa, não se preocupa” diz o Professor DeRose, especialista na área de transformar situações potencialmente negativas em realização, como conta em sua autobiografia Quando é Preciso Ser Forte. O fato é que se você estiver ocioso, a mente será atraída para o problema e o sofrimento. Encha a sua agenda de compromissos sociais e profissionais enquanto o tempo se ocupa em cicatrizar a ferida.

 

Dê tempo ao tempo: Tem coisas que só o tempo resolve e outras que se resolvem sozinhas com o passar do tempo. Nossas emoções são como o nosso corpo, sempre que nos machucamos fisicamente, o corpo precisa de um período de cicatrização. Quanto mais profunda for a ferida, mais tempo e cuidado serão necessários



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